BC admite impacto da alta do dólar na condução da política monetária
Banco Central divulgou nesta quinta-feira (18) a ata do Copom, Comitê se mostrou mais preocupado com a desaceleração da economia.
O Banco Central divulgou a ata do Copom e admitiu que a alta do dólar tem impacto na inflação e na condução da política monetária.
Quando o dólar sobe, pressiona a inflação. “Por exemplo, soja, milho, café, trigo, se o dólar ganha valor, se o real perde valor, os preços desses bens aumentam, porque quando se converte pra reais, eles ficam mais caros. Então, a inflação sempre é impactada pela desvalorização da moeda”, diz Paulo Gala, estrategista da Fator Corretora.
O governo tem adotado medidas para conter a alta da moeda americana. Nesta quinta-feira (18), vendeu cerca de US$ 1 bilhão no mercado futuro. O dólar, que chegou a subir no começo do pregão, fechou em queda, valendo R$ 2,22. Mas nos últimos dois meses, a moeda acumula alta de 10%. “Isso significa que a taxa de cambio terá papel importante na condução da política monetária daqui pra frente”, diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências.
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (18) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária para explicar a alta, na semana passada, da Taxa Básica de Juros para 8,5% o ao ano. No documento, o Copom avalia que os gastos do governo continuam a crescer e se mostrou mais preocupado com a desaceleração da economia. Pela primeira vez, o comitê levou em conta uma taxa de câmbio mais alta para suas decisões, de R$ 2,25, em sintonia com o mercado.
O Banco Central informou também que o impacto do dólar na inflação deverá ser limitado pela política de juros da autoridade monetária. Para economistas, isso significa que se o dólar aumentar, o Banco Central poderá elevar ainda mais a Taxa Básica de Juros.
“Para evitar que essa inflação doméstica suba ainda mais, ele tem que subir a taxa de juros para esfriar a demanda e conter possíveis repasses dessa depreciação do cambio para os preços finais. Então, a política monetária está sempre de olho no cambio para evitar que isso signifique inflação mais elevada ao consumidor”, explica Alessandra.
Roberto PaivaSão Paulo, SP



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