Pneus furados, demora e reclamação durante greve de ônibus
Alice dos Santos foi cedo ao Centro comprar peixe para o almoço. Era duas horas da tarde e ela ainda estava esperando o ônibus para voltar pra casa no bairro Ipanema. “Desde as 11 horas, e nada de esse ônibus vir”, afirma.
Em muitos pontos, como na Avenida Rui Barbosa, Centro, a demora superava 30 minutos. Nem mesmo os transportes alternativos, prometidos pela Prefeitura, passaram.
“Estamos com meia hora esperando. Eu saio uma hora [do trabalho] para almoçar e tenho que voltar três horas”, reclama a passageira, Odenilsa Cardoso.
“Demorou muito para passar o ônibus. Até desisti”, lamentou uma passageira, que se cansou de esperar ônibus e resolveu ir de mototaxi.
Com todos esses problemas, foram os mototaxistas que mais lucraram. Eles quase não paravam nos pontos. Os clandestinos também aproveitaram a ausência dos coletivos nas ruas para fazer o transporte de passageiros.
A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) diz que colocou mais agentes para fiscalizar o transporte e coibir os clandestinos e ainda alertou que o transporte alternativo, realizado por vans, microônibus e táxis precisa de autorização e de uma placa de identificação, que garante o livre acesso e segurança aos passageiros. “Todos que se voluntariarem para contribuir nesse momento, deve passar na secretaria, fazer o cadastramento, passar pela vistoria, porque também queremos dar veículos seguros para a população. Não vamos pegar qualquer pessoa que faça fretamento. Cada carro terá que ter afixado no vidro dianteiro a permissão da secretaria”, informou a secretária Heloísa Almeida.
Um dos transportes coletivos que faz a linha Floresta/Prainha furou o pneu na Avenida São Sebastião e fez os passageiros esperarem mais ainda. Outro, que faz a linha Castela/Centro, teve o pneu dianteiro furado, segundo o dono da empresa, por grevistas. “Vinha fazendo horário normal. Eles tinham autorizado para a gente parar. Paramos para o almoço, e mandaram todo mundo descer e botaram na roda”, afirmou o dono da empresa de ônibus, Jarbas Abreu.
O prefeito Alexandre Von determinou, nesta segunda-feira (13), algumas providências por parte da equipe de governo em relação à greve. A Prefeitura solicitou à Justiça, em caráter liminar, que seja garantido o percentual mínimo de 30% da frota em circulação.
Táxis estão autorizados a fazer a modalidade taxi-lotação, cobrando R$ 1,90 dentro do trajeto feito pelos ônibus. Vans, ônibus e micro-ônibus, estão sendo autorizados também, mediante vistoria, para prestarem serviço de lotação, enquanto durar a greve.
Os rodoviários entraram em greve reivindicando reajuste salarial de 16%, acréscimo no abono salarial de R$ 70 para R$ 120 e melhores condições de trabalho e segurança para motoristas e cobradores dentro dos ônibus. O sindicato das empresas do transporte coletivo alegam que só atenderão reivindicações se a Prefeitura sancionar o aumento na passagem dos ônibus.
Redação Notapajos com informações de Fábio Barbosa
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